Introdução. A pergunta pode parecer simples, mas revela maturidade profissional
Você já percebeu que, quando alguém pergunta “que roupa eu devo usar na perícia?”, essa pessoa já está um passo à frente de muita gente.
Porque quem ignora isso, geralmente ignora algo maior. O contexto do ato pericial.
Na Fisioterapia Forense, nada é neutro. Nem a forma como você fala, nem como você escreve, nem como você se apresenta fisicamente diante do juiz, dos advogados e das partes. A roupa comunica antes mesmo de você abrir a boca.
Então vamos responder isso com honestidade, sem frescura e sem fantasia.
Ato pericial é formal. Gostando ou não
Aqui está o primeiro ponto que muita gente erra.
O ato pericial não é extensão da clínica.
Não é visita técnica comum.
Não é aula prática.
Não é Instagram.
É um ato processual formal.
Se você atua como Fisioterapeuta Perito, você está ali como extensão do pensamento do juiz. Se atua como Assistente Técnico, você representa diretamente o interesse técnico do seu cliente.
Em ambos os casos, você está dentro do mundo da advocacia. Não é o advogado que precisa se adaptar a você. É você que está entrando no território deles.
E advogados prezam por formalidade. Isso não é opinião. É prática forense.
“Mas não existe lei dizendo qual roupa usar”
Correto. Não existe um código dizendo “use camisa social”.
E aqui está um erro comum de raciocínio. Achar que só o que está escrito na lei importa.
Na Perícia Fisioterapêutica, assim como no Direito, existe o peso do costume, da liturgia do cargo e do ambiente institucional. Ignorar isso não te torna moderno. Te torna ingênuo.
O que eu faço na prática como Fisioterapeuta Perito
Vou ser direto.
Eu não vou de terno para perícia. Não por rebeldia, mas por estratégia.
Grande parte das perícias que realizo envolve avaliação da pessoa e também perícia ergonômica, muitas vezes em chão de fábrica. E quem já fez isso sabe que conforto e mobilidade importam.
Minha escolha habitual é simples e funcional:
- Camisa social
- Calça jeans discreta
- Calçado fechado adequado
Quando necessário, utilizo sapato de segurança. E aqui vai uma informação prática que pouca gente fala. Hoje existem sapatos de segurança com estética social, inclusive modelos femininos que combinam perfeitamente com calça jeans ou social. Não existe mais desculpa estética.
Em muitos casos, deixo o sapato de segurança no porta-malas e troco no local. Profissionalismo também é logística.
E para mulheres na Fisioterapia Forense
A lógica é a mesma.
Roupa social. Nada de abrigo, camiseta larga, tênis esportivo ou aparência de desleixo.
Pode ser calça social, jeans discreto, blazer, camisa, sapato fechado adequado ao ambiente. O objetivo não é parecer advogada. É parecer profissional à altura do ato.
Quem subestima isso geralmente ainda não entendeu que imagem também constrói autoridade pericial.
E quando você atua como Assistente Técnico
Aqui muita gente escorrega.
O Assistente Técnico também está em um ato formal. Ele representa o cliente, a empresa ou o trabalhador. E isso exige postura.
Já vi assistente técnico extremamente competente tecnicamente perder respeito logo na chegada por estar mal vestido. Isso não aparece no laudo, mas pesa no ambiente.
Também é perfeitamente plausível o uso de uniforme da empresa, como guarda-pó, quando o profissional atua como ergonomista interno. Isso é aceitável, coerente e tecnicamente adequado.
O que não é aceitável é desleixo.
A roupa não faz o perito, mas pode desmontar sua autoridade
Aqui vai o ponto que eu quero que você reflita com maturidade.
Você pode ser excelente tecnicamente, dominar CIF, nexo causal, incapacidade e funcionalidade. Mas se sua imagem não conversa com o ambiente forense, você cria ruído desnecessário.
Na Fisioterapia Forense, autoridade é construída em camadas:
- Conhecimento técnico
- Comunicação clara
- Postura profissional
- Apresentação pessoal
Ignorar qualquer uma delas é jogar contra você mesmo.
Conclusão. Quer fazer parte do mundo da advocacia? Vista-se como quem pertence
Não existe um código de vestimenta escrito.
Existe um código implícito de profissionalismo.
Se você quer crescer na Fisioterapia Forense, atuar com Perícia Fisioterapêutica, ser respeitado como Fisioterapeuta Perito ou Assistente Técnico, comece entendendo o ambiente que você escolheu entrar.
Quem se veste de forma alinhada demonstra respeito pelo ato, pelo juiz, pelos advogados e pela própria profissão.
E isso, acredite, abre portas que técnica sozinha não abre.
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Na prática forense, detalhe é tudo.