Reclamante Não Compareceu à Perícia Trabalhista. E Agora, Perito?

Você chega na empresa às 8h. Organiza seus documentos. Confere o processo no tablet. Advogado da reclamada presente. Assistente técnico ali ao lado.

O reclamante não aparece.

E agora?

Se você atua ou quer atuar com Fisioterapia Forense, essa é uma situação real, comum e que testa sua maturidade como profissional. Não é na teoria que você se torna um bom Fisioterapeuta Perito. É no campo de batalha.

Vamos conduzir isso com técnica, estratégia e postura.


Primeiro ponto: Você não é dono da perícia. Você é extensão do juiz.

Quando falo que o perito é uma extensão do pensamento do juiz, não é frase bonita. É postura prática.

Se o reclamante não compareceu, a pior decisão que você pode tomar é agir por impulso.

Já vi colega dizer:

“Deu 8h01, não chegou, estou indo embora.”

Calma.

Na Perícia Fisioterapêutica, você representa o juízo. E o juiz não age com precipitação.

O que fazer na prática?

  • Aguarde 15 a 20 minutos.
  • Registre quem está presente.
  • Permaneça na recepção da empresa.
  • Não entre para “tomar um café”.
  • Não vá direto para o setor produtivo.

Você precisa estar visível e disponível. A recepção é seu ponto estratégico.


E se for perícia ergonômica?

Aqui começa o raciocínio técnico.

Na avaliação física, sem reclamante, acabou. Não existe perícia sem periciando.

Mas na perícia ergonômica, alguns colegas pensam:

“Vou fazer só com base na versão da empresa.”

Erro estratégico.

Uma das partes mais relevantes da prova pericial é o relato do trabalhador. Se você ouve apenas a empresa, abre margem para alegação de cerceamento de defesa.

O advogado pode alegar:

  • O trabalhador não foi ouvido.
  • A versão dele não foi considerada.
  • Houve prejuízo à ampla defesa.

E o que acontece?

Remarcação da perícia.

E você volta lá um mês depois.


A importância do alinhamento com o juiz

Cada magistrado tem um entendimento.

Alguns determinam:

  • “Realize a perícia mesmo sem o reclamante.”

Outros dizem:

  • “Sem a presença do reclamante, não realize o ato.”

Se você quer construir carreira sólida na Fisioterapia Forense, precisa entender como aquele juiz pensa.

Quanto mais alinhado você estiver com o juízo, maior será a confiança depositada em você. E confiança gera nomeações.


Como peticionar corretamente

Se o reclamante não compareceu, você deve:

  1. Registrar quem estava presente.
  2. Informar que aguardou determinado tempo.
  3. Justificar que tinha outros compromissos periciais.
  4. Comunicar que o ato não foi realizado por ausência da parte.

Simples. Objetivo. Técnico.

Nada de ironias. Nada de juízo de valor.


Um alerta estratégico que muitos ignoram

Vou provocar você.

Você entra na empresa antes do reclamante chegar?

Vai para o setor produtivo?

Toma café com a equipe?

Se fizer isso, pode estar criando um problema.

Já houve situação em que a parte alegou que estava na frente da empresa e foi impedida de entrar.

Imagine se você estivesse lá dentro, distante da recepção.

Como provar que a pessoa realmente não compareceu?

Fique na recepção. Visível. Aguardando.

Isso protege você.


E se a parte alegar que estava lá?

Pode acontecer.

Fotos na frente da empresa. Alegações de impedimento. Acusações contra o perito.

Por isso a sua postura precisa ser impecável.

  • Permaneça em local aberto e acessível.
  • Observe movimentação.
  • Registre em petição que a recepção é aberta.
  • Descreva a dinâmica do ambiente.

Na Perícia Fisioterapêutica, sua credibilidade é seu maior patrimônio. O laudo é o seu cartão de visitas. Mas sua postura no ato pericial é o que sustenta sua autoridade.


E o Assistente Técnico? Qual o papel dele nisso?

Se você atua como Assistente Técnico, sua responsabilidade é diferente.

Você pode:

  • Orientar o cliente sobre data e horário.
  • Reforçar a importância de chegar com antecedência.
  • Encontrar-se com ele antes do ato.
  • Acompanhar até o local.

Muitos reclamantes têm baixa organização ou dificuldade de compreender a importância do ato pericial.

Você foi contratado para defender tecnicamente. Então ajude estrategicamente.


A maturidade que diferencia o perito comum do perito estratégico

O juiz não gosta de perder prova pericial.

Remarcar perícia gera atraso, custo e retrabalho.

Se você entende isso, passa a agir de forma preventiva.

Ser Fisioterapeuta Perito não é apenas dominar técnica de avaliação funcional. É entender o processo, antecipar conflitos e proteger a validade da prova.

É aqui que a Fisioterapia Forense deixa de ser teoria e vira prática de alto nível.


Conclusão: postura constrói carreira

Se o reclamante não compareceu:

  • Aguarde.
  • Registre.
  • Peticione.
  • Espere decisão do juízo.

Sem drama. Sem precipitação. Sem improviso.

Na Fisioterapia Forense, quem cresce não é o mais apressado. É o mais estratégico.

E eu te pergunto: você está se comportando como um verdadeiro perito do juízo ou como alguém que ainda pensa como clínico?

Se você quer aprofundar sua atuação em Perícia Fisioterapêutica, entender como se posicionar como Fisioterapeuta Perito e dominar o papel do Assistente Técnico, continue acompanhando os conteúdos e dê o próximo passo na sua formação.

Porque no final do dia, o perito nunca perde o prazo e nunca falta com a verdade.

Nos vemos na próxima.

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