Introdução. Vamos parar de romantizar a perícia
Você já percebeu que muita gente fala de Fisioterapia Forense como se fosse algo distante, cheio de equipamentos caros e estruturas inalcançáveis? Esse é um dos maiores autoenganos que afastam bons profissionais da Perícia Fisioterapêutica.
A verdade é mais simples e, talvez por isso, mais desconfortável. O que separa um Fisioterapeuta Perito mediano de um excelente não é o equipamento de ponta. É saber usar bem as ferramentas certas, no contexto certo, com raciocínio funcional.
Se você ainda acha que precisa de um “arsenal tecnológico” para começar, aqui vai o choque de realidade que você estava evitando.
A principal ferramenta do Fisioterapeuta Perito ainda é o celular
Sim. Ainda é o celular. E se isso te decepciona, o problema não é a ferramenta. É a expectativa errada.
Na Fisioterapia Forense, o celular é usado para:
- Registro de imagens e vídeos periciais
- Gravação de entrevistas, anamneses e depoimentos
- Coleta de informações ricas para análise funcional posterior
O ponto cego de muitos colegas é achar que qualquer celular serve. Não serve.
Um celular que trava, esquenta, perde áudio ou não tem memória suficiente compromete diretamente a qualidade da perícia. E perícia ruim não se conserta depois.
Aqui vai a verdade dura: se o seu celular não aguenta 20 minutos de gravação contínua, você está improvisando em uma área que não aceita improviso.
Áudio é prova técnica. Quem ignora isso perde valor
Você provavelmente subestima o áudio. E isso é um erro estratégico.
Hoje, grande parte da Perícia Fisioterapêutica passa por entrevistas longas, ricas em detalhes funcionais, especialmente em perícias ergonômicas e avaliações biopsicossociais.
Gravar o áudio permite:
- Revisitar o depoimento com calma
- Estratificar informações relevantes
- Utilizar inteligência artificial para transcrição e organização de dados
Quem não grava áudio depende da própria memória. E memória não é prova técnica.
Se você quer produzir laudos funcionais sólidos, o áudio deixa de ser acessório e vira ferramenta central.
Notebook. Onde o raciocínio pericial acontece
Dá para fazer tudo no celular? Dá.
Dá para fazer bem? Não.
O notebook é onde o Fisioterapeuta Perito:
- Redige laudos funcionais completos
- Consulta literatura científica
- Usa inteligência artificial para apoiar análises
- Cruza dados clínicos, funcionais e ocupacionais
Abrir várias janelas, comparar informações e estruturar o raciocínio pericial exige tela, conforto visual e fluidez.
Quem tenta fazer isso apenas no celular está escolhendo o caminho mais lento e mais cansativo.
Aqui vai o questionamento que poucos fazem: você quer economizar equipamento ou tempo mental?
Teleperícia e teleentrevista. Não é o ideal, mas é a realidade
Muitos fisioterapeutas torcem o nariz para a teleperícia. Curiosamente, os juízes não.
A realidade é que a Fisioterapia Forense já incorporou:
- Teleconsultas
- Teleentrevistas
- Teleperícias, inclusive ergonômicas, quando não há outra opção
Nesses casos, improvisar com câmera ruim e áudio falho destrói sua autoridade técnica.
O mínimo necessário inclui:
- Boa câmera, não a câmera ruim do notebook
- Microfone decente, para evitar ruídos e falhas
- Fone de ouvido, para clareza na comunicação
Se você oferece um serviço técnico de alto valor, mas entrega uma imagem amadora, existe uma incoerência que o juiz, o advogado e a parte percebem, mesmo que não saibam explicar.
Visitas in loco. Simples também é profissional
Para avaliações presenciais, não complique o óbvio:
- Tripé ou monopé para gravações estáveis
- Organização dos registros visuais
- Padronização dos ângulos e movimentos avaliados
Não é sobre equipamento caro. É sobre método.
Um vídeo tremido, mal enquadrado e sem critério é sinal de desorganização técnica, não de falta de recursos.
Dinamômetro de preensão. Um investimento inteligente
Se você está começando, esse é um dos poucos equipamentos que realmente fazem diferença.
O dinamômetro de preensão manual é extremamente útil porque:
- Avalia força de membro superior
- Serve como indicador funcional relevante
- Aparece com frequência em perícias trabalhistas e previdenciárias
Não é obrigatório. Mas é estratégico.
Quem avalia função precisa de métricas. E quem não mede, opina.
O que realmente faz uma perícia de excelência
Agora vem a parte que muitos ignoram porque não dá para comprar pronta.
Na Fisioterapia Forense, excelência vem de:
- Estudo consistente de semiologia fisioterapêutica
- Boa avaliação funcional
- Revisão bibliográfica bem direcionada
- Uso inteligente da tecnologia, inclusive IA
- Clareza de raciocínio técnico
Com um bom celular, um computador e método, você já consegue atuar como Fisioterapeuta Perito e também como Assistente Técnico em alto nível.
Se você acha que precisa de mais ferramentas antes de começar, talvez esteja apenas adiando a responsabilidade de estudar e aplicar.
Conclusão. Ferramenta não substitui posicionamento
A pergunta não é quais ferramentas você tem.
A pergunta é se você está disposto a usá-las com seriedade.
A Fisioterapia Forense não exige glamour. Exige critério, método e compromisso com a verdade funcional.
Quem entende isso cresce. Quem procura atalhos fica na promessa.
Se você quer sair do discurso e entrar na prática da Perícia Fisioterapêutica, o caminho é mais simples do que parece. E mais exigente do que vendem.
Se quiser ajuda para estruturar esse caminho, você já sabe onde me encontrar.