Introdução. A pergunta simples que separa o amador do profissional preparado
Você já parou para pensar no constrangimento de chegar ao ato pericial e perceber que faltou justamente o equipamento que resolveria a dúvida técnica do juiz?
Quem atua com Fisioterapia Forense cedo ou tarde aprende isso do jeito mais duro possível.
Perícia não é improviso.
Perícia é antecipação.
E aqui já te provoco. Se você ainda acha que “só o conhecimento basta”, você está subestimando o jogo. O conhecimento é o núcleo. As ferramentas são o que transformam esse conhecimento em prova técnica.
Vamos organizar isso com clareza.
Antes de tudo. Entenda o objeto da perícia
O primeiro erro de quem está começando na Perícia Fisioterapêutica é montar uma mochila padrão e ir para qualquer perícia com a mesma lógica.
Pergunta obrigatória antes de sair de casa:
Qual é o objeto da perícia?
• Avaliação física funcional do periciado?
• Perícia ergonômica no ambiente de trabalho?
• Atuação como Assistente Técnico acompanhando o perito do juízo?
O objeto define o que é essencial e o que é acessório.
Dito isso, existe sim um núcleo mínimo de equipamentos que todo Fisioterapeuta Perito deveria ter.
O que eu levo na minha mochila de perito
Não é lista acadêmica. É prática de quem já esteve em centenas de atos periciais.
1. Tablet. Um divisor de águas silencioso
Se você ainda trabalha só com celular, você está perdendo eficiência.
O tablet permite:
• Levar o processo completo em PDF
• Acessar exames, laudos, atestados e relatórios na hora
• Resolver dúvidas técnicas em tempo real
Já atuei como Assistente Técnico em perícia previdenciária em que o próprio perito do juízo não conseguia acessar o processo. Resultado? Usei meu tablet, organizei a documentação do paciente e evitamos o adiamento da perícia.
Isso gera respeito imediato.
Não é luxo. É estratégia.
2. Câmera ou filmadora. Aqui mora um ponto cego de muitos
“Mas meu celular grava bem.”
Não. Ele ajuda. Não resolve tudo.
Em Fisioterapia Forense, especialmente em perícia ergonômica, a filmagem correta da tarefa é decisiva.
Com uma câmera dedicada e um monopé, você consegue:
• Filmagens em ângulos impossíveis para o celular
• Registro lateral, posterior e superior da tarefa
• Captar ciclos reais de trabalho sem interferência
Já precisei filmar tarefas em frigorífico, com desníveis, esteiras, plataformas elevadas. Celular não dá conta.
Se você pretende crescer na perícia ergonômica, a câmera é um investimento prioritário.
3. Gravador de áudio. Segurança técnica e jurídica
Eu sempre gravo o áudio do ato pericial.
Depoimentos, explicações espontâneas, orientações do perito do juízo. Tudo isso é ouro na hora de elaborar laudo ou parecer.
Hoje o celular faz isso muito bem.
Antes, eu usava gravador dedicado.
O importante não é o meio, é o registro.
4. Dinamômetros. Objetividade vence discurso
Força não se discute. Se mede.
• Dinamômetro de preensão manual
• Dinamômetro de pinça, se possível
São equipamentos acessíveis e que elevam o nível técnico da sua avaliação física. Em Perícia Fisioterapêutica, dados objetivos derrubam narrativas frágeis.
5. Trenas e medições. Ergonomia exige precisão
Na perícia ergonômica, não existe “mais ou menos”.
Eu levo:
• Trena comum
• Trena a laser
A laser é essencial para medir grandes distâncias, alturas elevadas, prateleiras, bancadas, alcances funcionais.
Sem isso, sua análise fica incompleta.
6. Balanças. Simples e funcionais
• Balança comum
• Balança de gancho até 50 kg
Ninguém vai pesar 50 kg em uma tarefa laboral. O que se pesa são peças, caixas, ferramentas.
Quem não mede peso, chuta.
E chute não é prova.
7. Equipamentos básicos que nunca saem da mochila
• Goniômetro
• Fita métrica
• Prancheta
• Canetas
• Material para anotações
O básico bem feito ainda diferencia muita gente.
8. Identificação profissional. Nunca negligencie
Sempre levo:
• Carteira do CREFITO
• Identificação como fisioterapeuta
• Comprovação de atuação profissional quando necessário
Autoridade também se comunica nos detalhes.
Termografia. Um complemento, não uma obrigação
Tenho câmera de termografia.
Uso como exame complementar.
Ela não é obrigatória, nem deve ser usada de forma irresponsável. Em Fisioterapia Forense, todo recurso precisa ter pertinência técnica.
Se você não domina, não use.
Ferramenta sem critério vira problema.
Ata pericial. Digital ou manuscrita?
Muitos magistrados exigem ata assinada pelas partes, especialmente em perícia ergonômica.
Existem dois perfis:
• Quem leva notebook e impressora portátil
• Quem redige manualmente e digita depois
Eu faço manualmente no ato e organizo depois.
O importante não é o método. É garantir que tudo esteja registrado e assinado.
A verdade que ninguém gosta de ouvir
Equipamento não substitui conhecimento.
Mas a ausência de equipamento limita o seu conhecimento.
Se você quer atuar como Fisioterapeuta Perito ou Assistente Técnico com autoridade, precisa parar de pensar pequeno.
Ferramentas não são custo.
São alavancas de resultado.
Conclusão. O que realmente importa no dia da perícia
Leve:
• Seu conhecimento técnico
• Seu estudo prévio do processo
• Equipamentos que facilitem a produção de prova
A Fisioterapia Forense recompensa quem se antecipa, não quem improvisa.
Se você quer crescer na Perícia Fisioterapêutica, trate cada ato pericial como uma entrega de alto nível. O juiz percebe. O advogado percebe. O mercado percebe.
E agora eu te devolvo a pergunta.
O que você leva hoje que eu não citei aqui?
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