Introdução: por que isso importa para você, fisioterapeuta?
Você já ouviu um advogado falar em peça inicial e contestação e ficou com a sensação de que isso é “coisa do Direito” e não sua? Aqui está um ponto cego comum. Quem pensa assim está abrindo mão de espaço técnico, relevância no processo e dinheiro na mesa.
Na Fisioterapia Forense, entender essas peças não é curiosidade acadêmica. É estratégia profissional.
Eu não vou te ensinar Direito. Quem faz isso são os advogados. O que eu vou te mostrar é como essas peças impactam diretamente a Perícia Fisioterapêutica e onde o Fisioterapeuta Perito e o Assistente Técnico entram para mudar o jogo.
O que é a Peça Inicial, na prática
A peça inicial é o documento que dá início ao processo judicial. É ali que nasce a tese.
No exemplo da Justiça do Trabalho, funciona assim:
- O trabalhador relata ao advogado sua história de adoecimento.
- Apresenta exames, atestados, prontuários, demissão.
- O advogado organiza tudo isso em uma narrativa técnica e jurídica.
- Essa narrativa vira a peça inicial e é protocolada no Judiciário.
Aqui entra o primeiro erro de muitos fisioterapeutas. Eles acham que a peça inicial é só um texto jurídico. Não é. Ela é uma história técnica mal ou bem contada.
Se a linha do tempo do adoecimento estiver confusa, incoerente ou fraca, o processo já nasce manco. E quem tem competência para organizar essa linha do tempo? Você.
Onde o Fisioterapeuta Forense agrega valor na Peça Inicial
Na Fisioterapia Forense, a sua contribuição na peça inicial é técnica, objetiva e decisiva:
- Auditoria de documentos médicos e funcionais.
- Organização cronológica da evolução dos sintomas.
- Análise de exames de imagem e funcionalidade.
- Construção da linha do tempo do adoecimento dentro ou fora do trabalho.
- Tradução do CID em repercussão funcional, usando CIF.
Aqui você deixa de ser coadjuvante. Você ajuda o advogado a sustentar a tese desde o primeiro parágrafo. Isso é atuação de Assistente Técnico de verdade.
O que é a Contestação e por que ela te interessa
Depois que a peça inicial é aceita, a parte contrária é intimada. A resposta dela é a contestação.
A contestação é o contra-ataque.
Item por item, a parte ré tenta desmontar tudo o que foi alegado na peça inicial.
Na Justiça do Trabalho, a empresa normalmente contesta:
- A existência da doença ocupacional.
- O nexo causal.
- A incapacidade laboral.
- A relação entre tarefa e adoecimento.
Aqui surge outro ponto cego. Muitos fisioterapeutas acham que só trabalham “para o reclamante”. Errado. A contestação é um campo enorme de atuação.
Atuação do Fisioterapeuta na Contestação
Na contestação, o Fisioterapeuta Forense atua com outro chapéu, mas com o mesmo rigor técnico:
- Análise ergonômica do posto de trabalho.
- Estudo biomecânico das tarefas.
- Avaliação da ausência de fatores de risco.
- Revisão da linha do tempo do adoecimento fora do contrato.
- Identificação de exames realizados após o desligamento.
Aqui você ajuda a empresa a demonstrar que não há nexo causal ou que o adoecimento não se originou naquele ambiente laboral. Isso não é “defender empresa”. É defender a verdade técnica.
E na esfera previdenciária, muda algo?
Muda o contexto, mas a lógica é a mesma.
No processo previdenciário:
- O autor entra com ação após negativa do benefício.
- A peça inicial normalmente se apoia em um parecer técnico.
- O INSS apresenta a contestação.
Aqui o parecer físico funcional muitas vezes é a prova central. Sem ele, a tese fica frágil. Com ele bem feito, o processo ganha corpo.
Por isso a Fisioterapia Forense cresce tanto na área previdenciária. O advogado precisa de alguém que saiba transformar limitação funcional em prova técnica compreensível.
O erro estratégico de quem ignora essas peças
Se você não entende peça inicial e contestação, você vira apenas “quem faz perícia quando o juiz manda”.
Se você entende, você vira parceiro estratégico do advogado antes, durante e depois do processo.
Isso amplia sua atuação como Fisioterapeuta Perito, fortalece sua posição como Assistente Técnico e aumenta o seu ticket médio.
Não entender essas peças não é humildade. É falta de visão de mercado.
Conclusão: quem domina a linguagem, domina o espaço
Você não precisa ser advogado. Mas precisa falar a língua do processo.
A Fisioterapia Forense não é só perícia judicial. É construção de prova, leitura estratégica do processo e posicionamento técnico.
Quando você domina a lógica da peça inicial e da contestação, você deixa de ser acessório e passa a ser necessário.
Se você quer crescer na Fisioterapia Forense, comece entendendo onde o processo nasce e onde ele é contestado. É ali que o jogo começa de verdade.
Se esse conteúdo fez sentido para você, reflita. Você está oferecendo esse tipo de suporte técnico aos advogados ou ainda está jogando pequeno?